Voltar

Baixa latência: por que os provedores de internet estão disputando milissegundos?

Baixa latência: por que os provedores de internet estão disputando milissegundos?

Latência é o tempo que os dados levam para percorrer a rede entre dois pontos. Em testes de conexão, geralmente é medida pelo tempo de ida e volta de um pacote e apresentada em milissegundos.

Ela não é determinada apenas pela velocidade contratada. Um plano de 500 Mbps pode transferir mais dados por segundo do que um de 100 Mbps, mas isso não significa, necessariamente, que entregará uma resposta mais rápida em todas as aplicações.

A largura de banda indica o volume de dados que pode ser transportado. A latência mostra quanto tempo a comunicação leva para acontecer. Tecnologia de acesso, distância, roteamento, congestionamento, equipamentos e qualidade do Wi-Fi também influenciam essa experiência.

O número e a experiência

Não existe uma única faixa de latência adequada para todos os usos. A percepção muda conforme a aplicação.

Assistir a um vídeo gravado, por exemplo, permite que o player armazene parte do conteúdo antes da reprodução. Em uma partida online, uma videoconferência ou uma aplicação em nuvem, cada comando depende de uma resposta quase imediata.

Por isso, a média isolada nem sempre revela o que mais importa para o provedor. É necessário observar para onde o tráfego está indo, quais rotas estão sendo utilizadas e como a conexão se comporta nos horários de maior demanda.

Em regiões distantes dos principais centros de interconexão, os dados podem percorrer trajetos mais longos até chegar ao destino. É essa distância lógica e geográfica que uma infraestrutura de backbone mais distribuída ajuda a reduzir.

Onde o milissegundo aparece?

  • Inteligência Artificial

Ferramentas de IA generativa e assistentes conversacionais geralmente processam as solicitações em data centers. O tempo de transporte dos dados se soma ao período necessário para o modelo processar e gerar a resposta. Para o usuário, porém, tudo é percebido como parte da mesma espera.

  • Games online e cloud gaming

Em jogos competitivos, atrasos entre o comando e a ação exibida na tela podem afetar diretamente a experiência. No cloud gaming, essa sensibilidade é ainda maior, porque o comando precisa chegar ao servidor, ser processado e retornar ao dispositivo como imagem.

Além da latência, o jitter (variação do tempo de resposta) e a perda de pacotes também interferem na estabilidade da partida.

  • Streaming

O conteúdo sob demanda consegue compensar parte das oscilações ao armazenar dados no buffer. Em transmissões ao vivo, a margem é menor, e uma latência elevada pode aumentar a diferença entre o acontecimento e sua exibição para o público.

Travamentos e falhas de reprodução também podem ser causados por congestionamento, perda de pacotes, jitter ou largura de banda insuficiente.

  • Videoconferência

Atrasos elevados prejudicam a naturalidade das conversas, favorecendo interrupções e momentos em que duas pessoas falam ao mesmo tempo. Para empresas com equipes distribuídas, esse efeito se repete ao longo de reuniões, apresentações e atendimentos.

  • Computação em nuvem

Sistemas de gestão, plataformas corporativas e bancos de dados precisam responder com agilidade, mesmo quando o processamento acontece a centenas ou milhares de quilômetros do usuário. Uma latência elevada pode ser percebida em comandos que demoram a responder, campos que levam mais tempo para carregar e atualizações menos imediatas.

  • Distância, rotas e saltos

Quanto maior a distância percorrida pelos dados e mais complexa a rota, maior tende a ser o tempo de resposta. Um provedor regional que precisa transportar o tráfego até um grande centro antes de encaminhá-lo ao destino pode acumular latência durante o percurso.

A conexão com pontos de troca de tráfego, os IXs, permite que diferentes redes troquem dados diretamente. Isso pode reduzir o número de redes intermediárias, otimizar rotas, diminuir custos e aumentar a resiliência da operação, conforme explica o próprio IX.br.

Quando o destino está fora do país, o acesso a pontos de troca de tráfego internacionais também pode tornar o caminho mais eficiente.

Remote Peering

O Remote Peering conecta o provedor a pontos de troca de tráfego internacionais sem exigir a instalação de uma estrutura própria no exterior.

Por meio da infraestrutura de uma operadora com presença nesses ambientes, o provedor pode estabelecer sessões com redes internacionais, CDNs, operadoras e provedores globais de conteúdo, mantendo seus equipamentos no Brasil.

A solução permite maior proximidade com essas redes, rotas mais eficientes e menor complexidade para expandir a conectividade internacional. A própria Eletronet apresenta o serviço como uma forma de acessar IXs nos Estados Unidos e na Europa sem operação local. 

A rede da Eletronet

A Eletronet atua há mais de 25 anos com conectividade de alta capacidade e integra o grupo Axia Energia.

Sua infraestrutura utiliza cabos ópticos OPGW, nos quais a fibra é instalada no interior do cabo para-raios das linhas de transmissão de energia. Essa configuração reduz a exposição a intervenções urbanas e acidentes que podem atingir cabos enterrados ou instalados em postes.

A resiliência da operação também é apoiada por múltiplos caminhos e anéis de redundância.

Atualmente, a estrutura reúne:

  • Mais de 26 mil km de rede OPGW em 23 estados;
  • Mais de 255 Edge Data Centers de conexão estratégica;
  • Presença em IXs nacionais, como São Paulo, Fortaleza, Rio de Janeiro, Porto Alegre, Curitiba, Recife, Salvador, Brasília, Belo Horizonte e Goiânia;
  • Presença internacional em Miami e Nova York;
  • Remote Peering para acesso a pontos de troca de tráfego internacionais nos Estados Unidos e na Europa.

Em junho de 2026, o PIX instalado no data center da Eletronet em São Paulo liderou o volume de tráfego de download entre as operadoras participantes do IX.br São Paulo. 

Para Emerson Hioki, CTO da Eletronet, o desempenho está relacionado à capilaridade da rede, à base consolidada de clientes e à capacidade de transportar grandes volumes de dados com eficiência e previsibilidade.

Na avaliação do executivo, ampliar o acesso ao IX.br permite aos clientes otimizar rotas e reduzir a latência diante da demanda crescente por nuvem, streaming e inteligência artificial.

O que muda para o provedor?

Ao se conectar a uma rede com maior capilaridade e presença em diferentes pontos de interconexão, o provedor amplia suas possibilidades de otimizar o tráfego e aproximar sua operação das redes de destino.

Na prática, isso pode representar:

  • Rotas mais eficientes para jogos, videoconferências, plataformas de IA e aplicações em nuvem;
  • Acesso a pontos de troca de tráfego no Brasil e no exterior;
  • Mais recursos para reduzir latência, jitter e perda de pacotes;
  • Infraestrutura mais preparada para atender clientes corporativos com exigências de desempenho e disponibilidade.

A latência deixou de ser apenas um indicador acompanhado pela equipe técnica. Ela também passou a fazer parte da experiência percebida pelo assinante e dos argumentos comerciais utilizados pelo provedor.

Quem consegue monitorar esse indicador, explicar seu impacto e investir em rotas mais eficientes ganha um diferencial que vai além da velocidade anunciada no plano.

Quer levar seu provedor além?

→ Envie um e-mail para [email protected]

FALE COM NOSSO TIME COMERCIAL

Leia também

Contato

Sua rede está pronta para inovar com a Eletronet?

Fique por dentro das novidades

Receba análises exclusivas sobre infraestrutura crítica, segurança cibernética e inovações que estão definindo o hoje e o amanhã da tecnologia.